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Sítio Arqueológico do Cerro do Castelo de Alferce

Este emblemático arqueossítio encontra-se implantado numa elevação no limite oriental da Serra de Monchique, com uma altura máxima de 488 metros, constituindo um marco na paisagem envolvente. Possui boas condições naturais de proteção e uma ampla visibilidade sobre o território envolvente. Encontra-se na proximidade a dois importantes cursos de água da região, as ribeiras de Monchique e de Odelouca (as “autoestradas da antiguidade”), que efetuam a ligação entre a zona serrana e o litoral.

No seu topo encontram-se as ruínas de um hisn, ou seja, de um castelo muçulmano, que terá sido erigido no século IX durante a época emiral. Esta fortificação possui muralhas pétreas com uma espessura de aproximadamente 2,20 metros, que configuram um fortim de planta pentagonal irregular (possível alcácer - qasr), ocupando uma área de 1400m² e contendo, pelo menos, duas torres de ângulo (nos cantos nordeste e noroeste), assim como uma cisterna no seu interior.

Aquando da escavação arqueológica realizada em 2004, junto ao pano da muralha oeste do castelo islâmico, foram reveladas duas ocupações distintas: a primeira atribuída à Antiguidade Tardia, nomeadamente à época visigótica (séculos V-VIII d.C.), e a segunda atribuída à Alta Idade Média (período islâmico) entre os séculos IX-X, sendo depois abandonado. Durante o período de ocupação islâmico esta fortificação estaria integrada num sistema avançado de defesa, de controlo do território e de apoio ao castelo de Silves.

Para além das ruínas do hisn muçulmano, existem mais dois recintos amuralhados. O segundo recinto define uma área habitacional situada a norte do castelo e que muito provavelmente lhe estaria associado. O terceiro recinto rodeia toda a elevação e está adaptado à topografia do terreno, estabelecendo uma área alongada orientada no sentido norte-sul com aproximadamente 2,1 hectares e com uma espessura que ronda os 2,90 metros - salientando-se que na zona oeste a muralha encontra-se melhor preservada, atingindo uma altura de cerca de um metro. A cronologia de construção deste terceiro recinto não está ainda esclarecida, mas poderá ter origem Pré-histórica ou Proto-histórica. Na zona oeste verificam-se indícios da existência de um baluarte com compartimentos e, na zona noroeste, alguns segmentos da muralha possuem um aparelho em opus spicatum – também conhecido por “espinha de peixe”.

Com recurso a prospeções arqueológicas detetaram-se evidências de uma ocupação humana mais antiga na parte ocidental da elevação, que deverá atribuir-se à Idade do Bronze, ou seja, inserir-se-á no II milénio a.C. Assim sendo, o Cerro do Castelo do Alferce terá sido ocupado e reocupado em diferentes épocas.

Este arqueossítio foi classificado em Junho de 2013 como sítio de interesse público (SIP), sendo que, toda a área classificada possui sensibilidade arqueológica máxima e detém uma zona especial de proteção (ZEP) que abrange a sua área intramuros, mas também toda a elevação (incluindo as encostas) onde está implantado.

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