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Fauna, Flora e Geologia

Do soco de xisto inclinado para Sul levanta-se um maciço de sienito, de vertentes abruptas mas arredondadas. Os principais picos revestem-se de um coberto arbóreo denso e marcado pela diversidade. Situados a Poente e Nascente da Vila de Monchique, formam, com Mata Porcas, uma envolvência biofísica ao principal aglomerado concelhio de singulares características naturais.
Em solos espessos, de composição equilibrada, desenvolvidos na camada de alteração profunda dos sienitos e facilmente irrigáveis no Verão (com água das nascentes, alimentadas pela infiltração através da rocha alterada e das numerosas diacláses), foi possível criar uma paisagem agrária, sempre verdejante, com múltiplas culturas, em terraços escalonados, regados e explorados de forma intensiva durante todo o ano. Associam-se habitualmente árvores de fruto com culturas arvenses, entre as quais figuram os citrinos, macieiras e oliveiras.

A presença simultânea de topos de considerável altitude, de vales com significativo grau de encaixamento, as inúmeras linhas de água e a profusão de nascentes naturais, conferem ao território marcas irrepetíveis e originais no contexto regional.

O conjunto montanhoso da Serra de Monchique é uma zona com características muito próprias, onde existem habitats específicos, determinados pela conjugação dos diversos factores biofísicos que possibilitou que um conjunto de espécies animais e vegetais evoluísse aqui em condições particularmente favoráveis, ao longo dos séculos.

Assim, as adelfeiras (Rhododendron ponticum), os azevinhos (Ilex aquifolium), os medronheiros (Arbutus unedo), os rododendros e diversos tipos de giestas, tojos e urzes, constituem o pano de fundo da vegetação original, que permanece com exuberância. Os castanheiros e os sobreiros, outrora também abundantes, estão contudo a desaparecer, expulsos pela rentabilidade dos pinheiros e dos eucaliptos. Este pano de fundo, desdobra-se no entanto, em diversas particularidades que permite a existência de diversos tipos de “habitats” naturais onde, proliferam diferentes tipos de mamíferos, répteis e aves. Sítio de ocorrência histórica de lince-ibérico (Lynx pardinus) e que mantém características adequadas para a sua presença ou susceptíveis de serem optimizadas, de forma a promover a recuperação da espécie ou a permitir a sua reintrodução a médio/longo-prazo.  Outras espécies existentes e protegidas pela directiva “Habitats”, são a lontra (Lutra lutra), o rato de cabrera (Microtus cabrerae), o lagarto de água (Lacerta schreiberi), o cágado (Mauremis leprosa), a boga portuguesa (Chondrostoma lusitanicum), a águia de bonelli (Hieraaetus fasciatus) e a águia cobreira (Circaetus gallicus).